O homem precisa de ilusões para viver; para evitar a loucura; para não morrer de desgosto.
Que protestem! Que se agitem em suas cadeiras e se enervem desgovernadamente.
Estás louco, possuído pelos demônios da depressão. É isso, estás doente da cabeça, é só por isso que não consegues enxergar a vida com clareza sob o prisma imaculado da santíssima trindade.
Diria o mais tolo.
E é mesmo um absurdo aquilo que dizeis, sob o próprio ponto de vista lógico é um absurdo. Como poderia uma mente racional iludir a si própria, sendo esta racional? Seria um completo contra senso que tal organismo apelasse a um artifício ilusório afim de assegurar sua existência, e justificar sua conduta, em bases puramente racionais.
Reforçaria o medíocre.
Mas é exatamente nisso que consiste a ilusão em seu sentido literal. A completa alienação do indivíduo e de suas faculdades mentais; que impedem, desta forma, que este se dê conta de seu estado de ilusão. Se vive de fato na ilusão, nela crê, e crê de maneira cega, resoluta e inabalável.
Argumentaria eu, já afetado pela reação contrária da audiência.
Imersa nesse cenário de ilusões, sua mente racional é absolutamente incapaz de desvelar seu verdadeiro estado de consciência, porquanto tudo que ela experimenta é ilusão, e não há mais nada ao seu alcance que não seja ilusão.
Complementaria eu, já numa tentativa desesperada de fazer valer meu ponto de vista.
E como poderia vós, conjeturar tal hipótese, se sois também um iludido confesso? Não seria isso também um contra senso, visto que defendeis a impossibilidade de se aferir vosso verdadeiro estado de consciência?
Indagaria alguém realmente sábio.
Concordo contigo, e compreendo este ponto de vista. Mas veja, que nesse caso há somente duas formas de se pensar: ou estou certo em minha proposição ou estou errado. Se estou eu certo, tudo aquilo que experimentamos e vivemos é a mais pura ilusão. E não há nada que discutir. Se estou errado, implica que minhas conjeturas são simplesmente ilusão produzidas por minha mente, que é, portanto, iludida pelo mundo exterior. Neste caso, estou certo de novo, apesar da nítida sensação de paradoxo que tal reflexão proporciona. Se não concordar com nenhuma das asserções anteriores, então está claramente duvidando do modo racional de se pensar, no qual nos baseamos para concluir que havia somente duas possíveis classificações para minhas proposições - a saber, certas ou erradas - e nenhuma outra possibilidade. Ainda assim, nesse caso, me parece, e de uma maneira muito mais constrangedora, que estou certo de novo; uma vez que se duvida do racionalismo como forma de juízo não há mais nenhuma esperança para contra argumentar minha hipótese absurda das ilusões; não que deposite toda a minha fé na forma racional de se pensar, mas me parece que a negação do racionalismo é exatamente a aceitação de que nossa percepção do mundo exterior é ilusória.
Concluiria eu, num raro momento de equilíbrio seguido por uma auto satisfação com meu próprio argumento.
A partir desse ponto não vale mais à pena se esforçar em descrever o desenrolar da discussão. Não que não consiga prever o que diriam o tolo e o medíocre, e suas mais óbvias reações, próprias da parca autonomia de elucidação. E mesmo o que diria eu em resposta à eles, tentando justificar, em bases não muito sólidas e, assumo, sem muita destreza na retórica, aqueles sentimentos que, embora difíceis de traduzir em palavras, imprimem uma dose de certeza em minha alma a qual é impossível ignorar. O problema, devo dizer, reside no sábio, nele e em suas sábias perguntas. Isso tudo, é, por construção, impossível de prever, pois se fosse dado a mim imaginar aquilo que um sábio pensaria, eu próprio, sábio, intitular-me-ia.
Que protestem! Que se agitem em suas cadeiras e se enervem desgovernadamente.
Estás louco, possuído pelos demônios da depressão. É isso, estás doente da cabeça, é só por isso que não consegues enxergar a vida com clareza sob o prisma imaculado da santíssima trindade.
Diria o mais tolo.
E é mesmo um absurdo aquilo que dizeis, sob o próprio ponto de vista lógico é um absurdo. Como poderia uma mente racional iludir a si própria, sendo esta racional? Seria um completo contra senso que tal organismo apelasse a um artifício ilusório afim de assegurar sua existência, e justificar sua conduta, em bases puramente racionais.
Reforçaria o medíocre.
Mas é exatamente nisso que consiste a ilusão em seu sentido literal. A completa alienação do indivíduo e de suas faculdades mentais; que impedem, desta forma, que este se dê conta de seu estado de ilusão. Se vive de fato na ilusão, nela crê, e crê de maneira cega, resoluta e inabalável.
Argumentaria eu, já afetado pela reação contrária da audiência.
Imersa nesse cenário de ilusões, sua mente racional é absolutamente incapaz de desvelar seu verdadeiro estado de consciência, porquanto tudo que ela experimenta é ilusão, e não há mais nada ao seu alcance que não seja ilusão.
Complementaria eu, já numa tentativa desesperada de fazer valer meu ponto de vista.
E como poderia vós, conjeturar tal hipótese, se sois também um iludido confesso? Não seria isso também um contra senso, visto que defendeis a impossibilidade de se aferir vosso verdadeiro estado de consciência?
Indagaria alguém realmente sábio.
Concordo contigo, e compreendo este ponto de vista. Mas veja, que nesse caso há somente duas formas de se pensar: ou estou certo em minha proposição ou estou errado. Se estou eu certo, tudo aquilo que experimentamos e vivemos é a mais pura ilusão. E não há nada que discutir. Se estou errado, implica que minhas conjeturas são simplesmente ilusão produzidas por minha mente, que é, portanto, iludida pelo mundo exterior. Neste caso, estou certo de novo, apesar da nítida sensação de paradoxo que tal reflexão proporciona. Se não concordar com nenhuma das asserções anteriores, então está claramente duvidando do modo racional de se pensar, no qual nos baseamos para concluir que havia somente duas possíveis classificações para minhas proposições - a saber, certas ou erradas - e nenhuma outra possibilidade. Ainda assim, nesse caso, me parece, e de uma maneira muito mais constrangedora, que estou certo de novo; uma vez que se duvida do racionalismo como forma de juízo não há mais nenhuma esperança para contra argumentar minha hipótese absurda das ilusões; não que deposite toda a minha fé na forma racional de se pensar, mas me parece que a negação do racionalismo é exatamente a aceitação de que nossa percepção do mundo exterior é ilusória.
Concluiria eu, num raro momento de equilíbrio seguido por uma auto satisfação com meu próprio argumento.
A partir desse ponto não vale mais à pena se esforçar em descrever o desenrolar da discussão. Não que não consiga prever o que diriam o tolo e o medíocre, e suas mais óbvias reações, próprias da parca autonomia de elucidação. E mesmo o que diria eu em resposta à eles, tentando justificar, em bases não muito sólidas e, assumo, sem muita destreza na retórica, aqueles sentimentos que, embora difíceis de traduzir em palavras, imprimem uma dose de certeza em minha alma a qual é impossível ignorar. O problema, devo dizer, reside no sábio, nele e em suas sábias perguntas. Isso tudo, é, por construção, impossível de prever, pois se fosse dado a mim imaginar aquilo que um sábio pensaria, eu próprio, sábio, intitular-me-ia.
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