terça-feira, 22 de junho de 2010

Ensaio quarto

Falo pois para expressar o que sinto as sobrancelhas não bastam.

Se há alguma definição precisa para o amor verdadeiro, creio que esta deva passar, necessariamente, pela capacidade de sofrer as dores alheias. Questiono muito a legitimidade de algumas formas de amor praticadas. Não posso crer que ama verdadeiramente aquele que não se emociona e se fragiliza com as dores e os infortúnios de seus semelhantes. Muito me desagrada e impressiona a forma deturpada de demonstração de afeto dos tipos "frios", que incapazes de vencer seus próprios demônios submetem o amor à uma série de regulamentações e processos burocratizantes, tradicionais do modo de vida capitalista, danificando-o permanentemente, tal como uma atrofia. Em tais seres observa-se também traços fortes de egoísmo, mesquinharia e empáfia; popularmente são bem definidos pelos desígnios "filho da puta" e "escroto", havendo variações de intensidade do tipo "tremendo filho da puta (escroto)" e mesmo composições tais como "puta de um escroto". Assusta-me às vezes verificar que tais tipos costumam ser muito bem sucedidos em suas empresas; mas por entender que seus objetivos são sempre desprovidos de nobreza recuso-me veementemente, e às vezes, confesso, teimosamente, a acreditar que tais características constituam-se de fato virtudes. Rezo para que o mundo cada vez mais propicie circunstâncias adequadas ao exercício do amor em sua forma plena, e que os tipos "frios" minguem desgraçadamente; rumando, pouco a pouco, ao sepulcro da inexistência.