Depois de tanto tempo de reflexão, de meditação, chega-se, irremediavelmente, a este momento que nos aguarda. O momento em que se faz necessária a intervenção consciente sobre o puro acaso. Não podemos conter a corredeira inteira o tempo todo, é bem verdade; mas somos capazes, porque o aprendemos a ser, de transpor pequenos trechos desta, de intervir de maneira premeditada desviando pequenas porções deste fluxo incessante. O momento que nos aguarda se difere dos demais, e isso é bem sabido, e isso é impossível de se ignorar; e é por esta mesma razão que a ele, e a seus congêneres, atribuímos tamanha importância, destacando para, e a eles empregando, esforços redobrados. Sabes também que tais momentos destacam-se por uma dificuldade característica, como não poderia deixar de ser. Mas sabes também, por experiência adquirida, que é nesses momentos difíceis que tu cresces e consegues realizar coisas diferenciadas. Sabes que a força há de aparecer no momento certo, e que, de certo, não te abandonarás enquanto dela precisares. Sabes que confio em ti mais que a qualquer outro, e sabes também, e é bom que saibas, que apesar disso saberes, e apesar de seres pretenso como poucas vezes vi, continuas com os pés cravados na humildade e cônscio de suas fraquezas, medos, limitações e IGNORÂNCIA. Tome um gole de ar dessa noite gelada; contemple mais uma vez, e demoradamente, as estrelas que rasgam o firmamento às trevas; atente para o silêncio que agora emana da selva ao seu redor; faça uma última prece; dela duvide uma última vez; e recolha-te. Recolha-te que o amanhã há de surgir e então, tu estarás pronto para ele.
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