Mortos estão: o crente, o ateu e o agnóstico. É chegada a hora do juízo final e os três vêem-se frente a frente com Deus. Este começa a chamá-los um a um para que se aproximem. Em primeiro lugar vem o crente e Deus lhe diz:
— Acreditastes em minha existência de forma resoluta e inabalável durante toda tua vida ainda que não houvesse uma só prova razoável para tanto. Fostes tolo e por isso não poderás adentrar o reino dos céus. Como castigo deverás viver o resto de teus dias no inferno, e assim será.
Em seguida dirigiu-se ao ateu, que por um momento chegou mesmo a crer que teria melhor sorte que o primeiro, pois de tua tolice jamais havia compartilhado. No entanto, logo recobrou a consciência e lembrou-se que era Deus quem vos falava. Este disse-lhe:
— Tu, ateu, fostes tolo duas vezes. Pois se prova não havia para minha existência, tampouco havia para condenar-me como fraude. Fostes precipitado e pretensioso, e por isso deverás acompanhá-lo ao inferno — concluiu Deus apontando na direção do crente.
Por fim, Deus dirigiu-se ao agnóstico, que trazia no semblante a expressão de triunfo por haver concluído, por eliminação, que ele é que estava certo e que justamente por isso receberia de Deus as honrarias e a recompensa necessárias. O veredicto veio em tom seco e sem emoção:
— Tu os acompanhas.
Tomado de surpresa irrefletidamente o agnóstico replicou:
— Mas e eu por quê? Não fui tolo como o crente nem tampouco precipitado e pretencioso como o ateu. Não compartilhei de nenhum de seus pecados e por isso não devo ir para o inferno.
Eis que Deus lhe respondeu:
— Não, não é pela tolice ou pretensão. Tu vais pela covardia.
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