quinta-feira, 27 de maio de 2010

Fragmentos

Uma lição não só para atores, e sim para todo e qualquer indivíduo cônscio da necessidade de se evitar uma vida efêmera. O texto a seguir reflete, na minha visão, a necessidade de se buscar o seu próprio caminho; de, respeitando as suas características pessoais e inalienáveis, encontrar a sua forma de realização, quer seja de uma cena, quer seja de qualquer outra empreitada que se dispuser a cometer na vida. Desta forma, sempre pautando suas ações em cima destes princípios, o indivíduo confere às últimas (as ações) conteúdo. Ele as preenche de significado, tornando-as, de certa forma, densas e robustas; e ao meu ver, ao fazê-lo, estas tornam-se especiais não somente sob o seu ponto de vista, mas adquirem um novo caráter, potencializado, capaz de transformar o meio na qual se inserem. Creio sobretudo, tratar-se de uma série de práticas que têm como objetivo garantir a harmonia entre o indivíduo e aquilo que este faz, além de configurarem-se, elas próprias, um valioso exercício de auto-conhecimento.

[...] Nunca se perca no palco. Atue sempre em sua própria pessoa, como artista. Nunca se pode fugir de si mesmo. O instante em que você se perde no palco marca o ponto em que deixa de verdadeiramente viver seu papel e o início de uma atuação exagerada, falsa. Assim, por mais que atue, por mais papéis que interprete, nunca conceda a si mesmo uma exceção à regra de usar sempre os próprios sentimentos. Quebrar essa regra é o mesmo que matar a pessoa que você estiver interpretando, pois a estará privando de uma alma humana, viva, palpitante, que é a verdadeira fonte da vida do papel. [...]

[...] Sempre e eternamente, quando estiver em cena, você terá de interpretar a si mesmo. Mas isto será numa variedade infinita de combinações de objetivos e circunstâncias dadas que você terá preparado para seu papel e que foram fundidos na fornalha da sua memória de emoções. É este o melhor e o único material verdadeiro para a criatividade interior. Utilize-o e não confie em nenhuma outra fonte para abastecer-se. [...]

Constantin Stanislavski em "A preparação do ator"

Nenhum comentário:

Postar um comentário